Showing posts with label da Dadivosa. Show all posts
Showing posts with label da Dadivosa. Show all posts

Saturday, 19 May 2007

Bolo de Milho com Coco da Avoada


O acaso é ingrediente constante nos domínios de minha cozinha. Ora produz grudes intragáveis, ora desanda o pão, ora obriga-me a deitar fora a receita, ora revela-se uma gostosa surpresa.
O bolo a seguir, cuja receita apanhei numa embalagem de coco ralado, acabou por revelar-se delicioso, malgrado meu total esquecimento de um elemento quase indispensável: o trigo.

Com o bolo já no forno fui copiar a receita, certa de que havia logrado meu intento de assar um belo bolinho na noite fria de domingo, quando dei-me conta de que havia deixado de fora da receita a xícara de farinha recomendada.
Ao Leitor e à Leitora, deixo aqui a receita completa:
Ingredientes:
200 g de margarina em temperatura ambiente
2 xícara (chá) de açúcar
3 ovos (separados)
2 xícaras de fubá ou milharina
1 xícara (chá) de farinha de trigo (que esqueci!)
1 vidro (200 ml) de leite de coco
1 ½ xícara de leite
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 pacote (100 g) de coco em flocos

Como fazer:
Ligue o forno para pré-aquecer.

Peneire o açúcar, junte a ele a margarina e bata até que a mistura vire um creme esbranquiçado. Para isso, use a batedeira, ou bastante paciência.

Acrescente as gemas, uma a uma e continue a bater. A partir de agora pode usar uma espátula ou colher de pau.

Junte aos poucos o fubá, o trigo (se você se lembrar!), o leite de coco e o leite, alternando entre os secos e molhados. Reserve.
Bata as claras em neve.

À mistura reservada, acrescente o sal, o fermento e o coco.
Incorpore as claras à massa com carinho.

Despeje em uma forma bem grande de buraco no meio untada e polvilhada com fubá. Minha forma não deu conta, de modo que tive de arregimentar duas mini-formas retangulares de silicone mais um refratário para acomodar toda a massa.

Leve ao forno moderado para amorenar até que, ao espetar um palito no meio da massa ele saia limpo. Aguarde arrefecer um pouco e desenforme.

Se desejar fazer uma bossa, polvilhe açúcar e decore com um anis estrelado bem bonito.

A textura ficou de uma delicadeza ímpar, mais para bombocado do que para bolo. Soubesse que ficaria assim, teria usado forminhas de empada e deixado menos tempo no forno. Bom para comer morninho, quase uma sobremesa, quase sem querer, graças ao acaso e à cabeça avoada da cozinheira.

Thursday, 19 April 2007

Risoto de Maçã Verde com Curry e Gengibre

O Rei da Quinzena é o Gengibre. A receita que segue nasceu de maneira natural e a combinação de ingredientes muitíssimo me agradou: ficou diferente, delicada e exótica ao mesmo tempo.

Faz-se mister trazer à baila que o gengibre utilizado foi daquele em pó. Para usar o fresco, será necessário reduzir drasticamente a quantidade, pois o nosso Rei, quando ralado na hora, tem sabor ainda mais predominante e forte.

Ingredientes para duas barrigas:

1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sopa de azeite
1 cebola picadinha
1 xícara de arroz arbóreo
1 xícara de vinho branco
1 maçã verde em cubos (usei da variedade Granny Smith)
2 colheres de sopa rasas de curry em pó
1 colher de sobremesa rasa de gengibre em pó
1 litro de água fervente
2 colheres de sopa de passas sem sementes
50 g de bom queijo parmesão ralado no ralo grosso
sal a gosto
pimenta rosa para salpicar

Como fazer:

1. Leve ao fogo uma panelinha com a água para ferver.
2. Enquanto isso, derreta a manteiga com o azeite e deite ali a cebola picada. Um bom truque é jogar uma pitada de sal, assim a cebola transpira e não se deixa dourar facilmente.
3. Quando a cebola estiver transparente, junte o arroz e dê uma remexida para que os grãos fiquem envoltos na manteiga. Adicione também a maçã em cubos.
4. Chegou a hora das especiarias: polvilhe sobre o remexido os pós de gengibre e de curry. Resista à tentação de adicionar mais temperos nessa hora, pois os danados ficarão mais fortes à medida que se aquecerem. Mexa bem.
5. Adicione o vinho, que a essa altura do refogado deve fazer uma verdadeira revolução de borbulhas, aroma e sons. Aguarde até que evapore e prossiga com a feitura do risoto.
6. Daqui para a frente, vamos adicionar a água fervente aos poucos. Uma concha de água, várias mexidas com a colher de pau até secar novamente, mais uma concha de água e assim sucessivamente até quase acabar a água.
7. Os grãos de arroz ainda deverão estar um pouco durinhos, e é assim mesmo que deve ser. Adicione as passas, remexa.
8. Quando achar que os grãos estão quase-quase cozidos, desligue o fogo. É que o risoto fica assim, uma sopa seca, mas os grãos ainda devem ser identificáveis pelos sentidos da visão, do tato e do paladar. Adicione o queijo ralado e remexa até perdê-lo de vista.(Os risotos tradicionais, nessa hora, levam cubinhos gelados de manteiga que são incorporados com a colher de pau. Esse processo é chamado de emulsificação. Como nossas cinturas já estão emulsificadas o suficiente e a receita se mostrou agradável em textura e sabor, abdiquei desse tanto de manteiga. O Leitor e a Leitora podem fazer como for de seu agrado.)
9. Prove e corrija o sal. Sirva imediatamente, com salpicos de pimenta rosa e um gostoso fio de azeite.

Preciso confessar que minha expectativa com relação a essa invencionice era altíssima e foi ainda assim superada. Pretendo repetir a feita sem nada modificar, tamanha a satisfação com o resultado.

Saturday, 24 March 2007

Lassi com Cardamomo

Tomei meu primeiro lassi há uns dez anos. Foi sugestão do garçom, compadecido que ficou ao avistar meus olhos em chafariz, a maquiagem prestes a escorrer e as bochechas multicolores que variavam entre o carmesim e o roxo-senhor-dos-passos.

Ele tinha razão, o iogurte é um verdadeiro bálsamo para o palato esfolado, único alívio imediato possível para as intensas chamas de um curry original hot-hot-hot-cinco-pimentas, aquele mesmo que pedi me achando toda valente.

Não me ocorrera, meia hora antes, que as três vindas à mesa para confirmar o pedido significavam uma tentativa de resgate e não um ruído de comunicação provocado pela diferença de sotaques.

Uma busca pela rede mundial de computadores certamente retornará uma plêiade de receitas dessa bebida: doces, salgadas, com frutas, leite, gelo, especiarias. O Leitor e a Leitora fiquem à vontade para criar suas próprias versões. O meu foi feito assim:

Ingredientes:

  • 1 copo de iogurte natural (usei caseiro)
  • 2 colheres de chá de mel
  • 2 vagens de cardamomo
  • 2 colheres de sopa de água de flor de laranjeira

Como fazer:

  1. Leve tudo ao liquidificador, bata, coe e beba. E nem precisa ser com um curry original hot-hot-hot-cinco-pimentas.

Tuesday, 6 March 2007

Salada de Laranja com Canela



Herdei de meu pai, o Babbo, uma paciência incrível para descascar laranjas. Faço-o com maestria, sem bagunça nem chacina, nem pareço eu!
A técnica consiste em retirar a casca toda de uma só vez, formando uma linda espiral. Depois, retira-se com velocidade de prestidigitador, toda a pele branca e amarga, penúltimo vestígio da interface da laranja com o mundo.
Deixa-se intacta a membrana fina que reveste os gomos, podendo-se retirar as sementes com um golpe certeiro da faca afiada ou, numa versão mais selvagem, com uma mordida voraz.
A salada a seguir foi preparada para o evento da Colher de Tacho e pode ser montada aos gomos, cubos ou rodelas, mas confesso que prefiro essas últimas.

Ingredientes: (por porção)


1 laranja-pera bem madura, suculenta e geladinha
1 colher de chá de açúcar (não deixe de usar, eu que não gosto de açúcar, aprovei)
1/2 colher de sopa de água de flor de laranjeira (encontrada em supermercados e lojas de produtos árabes)
canela a gosto


Como fazer:
Descasque a laranja retirando toda a pele branca e corte-a em rodelas. Retire as sementes.
Disponha as fatias sobre um prato raso, preferencialmente sem sobrepô-las, pois elas deverão estar livres para receber a festa de sabor que vem a seguir.
Polvilhe as fatias com o açúcar. Não exagere, use somente a quantidade indicada para não mascarar os outros sabores.
Regue a laranja com a água de flor de laranjeira, cuidando para que cada fatia receba sua porção dessa chuvinha mágica. Aqui, também, um exagero pode tornar a salada repugnante, enjoativa.
Polvilhe tudo com canela a gosto e sirva. Não espere muito tempo, pois a laranja oxida rápido e nada se compara ao frescor da fruta recém-cortada!
Para baixar um vídeo com outra técnica de descascar laranja, clique aqui.